A Grande Trepada do Doutor Cipreste

Além de Fiofó das Candeias
Onde Judas perdeu as meias
Ficava a cidade de Ouriço
Lá não tinha viado
Só macho curtido e sarado
Pinto em riste pro serviço

 

Se vinha o Zeca Arretado
Touro andava de lado
Pra vaca não virar
Tinha ainda o Jacinto
Colava milho no pinto
Pras galinhas ciscar

 

Feliz era a Dona Zenaide
Dona do Bar Midinaite
O melhor puteiro de Ouriço
As quengas não negavam nada
Barba, cabelo e raspada
Encaravam qualquer piço

Muié era só fartura
Ninguém penava secura
Ouriço era o Paraíso
Com tanta pemba ardente
Cu e buça valente
Não tinha um cabra com friso

 

Um dia correu na cidade
Notícia de calamidade
Tinha um virgem no local!
Era o Doutor Cipreste
Velho nos tempos do Prestes
Nunca tinha usado o pau!

 

O prefeito Olegário
Reuniu com o vigário
E decretou feriado
“De hoje não passa não
Aqui, todo cidadão
Tem que ser descabaçado!”

 

O povo rumou em massa
Foram pra frente da casa
De Cipreste, o ancião
“Cabou-se sua agonia
Que hoje chegou o dia
Da primeira meteção!”

 

Cipreste ficou ressabiado
Temendo fama de afrescado
Nem pensou em recusar
Botou um terno limpo
Passou laquê no pinto
“Manda as quenga entrar”

 

Já era meio-dia
E seu Cipreste fodia
A última quenga da praça
O vai e vem era bão
Mas nada de requeijão
“Sem gozar, não tem graça!”

 

Os homens de boa fé
Emprestaram as próprias muié
Mas nada do pinto esguichar
“Já sei”, disse o velho astuto
“Quero provar de um puto!
Cu de macho vou lacear!”

 

Aí deu-se o rebu
Pois homem não dava o cu
Naquela cidade exemplar
“Começou tem que ter fim
Isso não fica assim
Agora eu quero gozar!”

 

O vigário pensou bem
Decidiu “ah, que qui tem…”
E levantou a batina
Cipreste rancou bosta
Quase quebrou as costas
Do padre em triste sina

 

“Ainda não tou satisfeito
Quero o cu do prefeito
E de quem mais cagar!”
A machada fez fila
“Ele é o doutor da vila
Virgem não pode ficar!”

 

Cipreste o fogo não nega
Não sobrou nenhuma prega
Nos homens do povoado
Enfim o doutor gozou
A mão no peito botou
Caiu no chão, fulminado

 

Do funeral era o dia
Os cus ainda ardiam
E ninguém se olhava na cara
“Mas que velho mais puto!”
Todos pensavam no luto
“Passou a cidade na vara!”

 

Cipreste foi enterrado
Com honras de Chefe de Estado
Num mausoléu luxento
Todo olho pingava
E o féretro continuava
Com a cidade em desalento

 

Sentada numa nuvem malhada
Cipreste ria que se mijava
Da peça que tinha pregado
Virgem, nunca tinha sido
Corneou tudo que era marido
E fez de macho em viado

 

Hoje a cidade de Ouriço
Tenta com sacrifício
Tirar o nome da lama
Mas o boato foi geral
Virou notícia nacional
O trote do velho sacana

 

Ouriço não é mais aquela
Agora tem até passarela
Pra traveco desfilar
Macho beija bigodudo
Dispensa o pastel peludo
E vai numa tora sentar

 

O Bar Midinaite faliu
E a mulherada partiu
Prum lugar mais agitado
Ouriço ficou mais feliz
E hoje todo mundo diz

“Cipreste, muito obrigado!”

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