Cecília

Naquele dia, o chefe de Cecília viajou. A mulher sorriu ao ouvir a notícia. Enfim, uma tarde livre e poderia sair mais cedo. Numa sexta-feira, aquilo com certeza era sinal de um fim de semana ótimo. Não se importou de almoçar na rua. O sanduíche que costumava comer estava até mais delicioso. O céu parecia mais limpo e bonito. Cecília, mais sorridente. No meio da tarde, arrumou suas coisas e despediu-se das colegas que, infelizmente, ficariam ali por mais duas ou três horas.

Entrou no carro e não foi preciso dirigir muito para que encontrasse um longo engarrafamento. Buzinas, xingamentos e um sol forte começavam a perturbá-la. “É incrível como essas merdas conseguem estragar o meu dia”, pensou enquanto subia o vidro das janelas. A mulher morava distante do trabalho, o que tornava a volta para seu doce lar mais um problema em sua rotina. Todo dia era a mesma coisa. O barulho terrível das buzinas lhe invadindo a cabeça, novos palavrões para seu vocabulário e de cinco em cinco minutos alguém batia em sua janela vendendo algo. Essa prática, em especial, a assustava muito porque havia lido na internet que essa era a nova moda entre os assaltantes.

Ao isolar-se dos barulhos, pôs-se a observar os motoristas. Um homem de cabeça grande e redonda, que usava óculos fundo de garrafa e ostentava um grande bigode, apertava a buzina com uma mão enquanto dava dedo com a outra. Não tinha pescoço algum e parecia se esforçar muito para abrir a boca. Cecília ria, imaginando com quais adjetivos o motorista se referia à mãe do outro que havia cortado e passado em sua frente.

– Os homens são mesmo uns idiotas, falou enquanto tirava a jaqueta jeans que usava e a jogava no banco de trás. Ligou o ar. Olhou no relógio e viu que já se passava muito tempo desde que estava parada no mesmo local. Prometeu para si que não ia deixar se estressar. Nada estragaria sua sexta. Só pensaria em coisas boas e assim, pouco a pouco, passando por todos os palavrões, ignorando as buzinas e caras feias, chegou em casa.

Dentre as coisas que fez ao entrar no apartamento, a mais importante foi livrar-se do sapato de salto. Largou-o ali, entre a sala e o quarto. Adorava aquele piso de madeira e achava uma ofensa não senti-lo. Desfrutar da liberdade de pisar descalço era, pra Cecília, um prazer. O piso tinha sido um dos fatores decisivos na escolha do apartamento. Lembrava sua infância. As visitas na casa de Vó.  O apartamento era seu refúgio com piso de madeira e, é claro, uma banheira.

Aquela banheira era sua melhor amiga. Era ali, com um banho quente, que a mulher relaxava depois de um dia cansativo. Cheia de espuma, a banheira era sua terapeuta. Sabia de tudo, pois tudo Cecília lhe contava. Além de confidente, também servia como poço de lágrimas. Outrora de risos. E suspiros.

Entrou em seu quarto, largando a bolsa na cama e caminhou até o notebook. Acendeu a luminária na mesa de vidro e ligou o computador. Abriu o zíper da calça jeans e desceu até os joelhos. Ergueu as pernas, tirando uma de cada vez. Dobrou a calça e jogou em cima da cama. No notebook, selecionou a pasta com o nome “Jazz”, deixou o volume no máximo e deu play. Fechou os olhos ao ouvir as primeiras notas e sorriu. Adorava música e pouco se importava se os vizinhos iam reclamar do volume. Que se danem, era sexta e ela se sentia muito bem.

 

Apagou a luminária e entrou no banheiro. Apertou o interruptor e as luzes do teto e espelho acenderam. Foi até a banheira e agachando-se, girou a torneira enquanto sentia a temperatura da água com a outra mão. Depois de algumas voltas, conseguiu deixar no ponto em que mais lhe agradava. Levantou-se, adorando o som da banheira enchendo e se misturando com a música que vinha do quarto.

Cecília encarou-se no espelho. O cabelo volumoso e cacheado vinha até os ombros. Tinha um olhar profundo, lascivo, com cílios longos que sempre eram acentuados por um lápis preto que passava antes de ir pra qualquer lugar. Eram as únicas maquiagens que aquela morena alta, de lábios pequenos e carnudos se permitia. Lápis preto e batom. Nunca de cores fortes, mas algo que combinasse com a sua pele. Aproximou mais do espelho. Aquela espinha que tinha visto hoje de manhã ainda estava ali, mas espremer só tornaria as coisas piores. Tirou a camiseta preta que usava, revelando os seios empinados com os mamilos pequenos e eriçados.  O desenho das costelas aparecia sob a pele. Virou de lado enquanto ficava na ponta dos pés. Usava uma calcinha de renda na cor rosa que deixava suas nádegas expostas. Mordeu o lábio inferior e apertou a bunda. Adorava-a. Alisou as coxas. Implicou com os dedos da mão. Achava eles muito longos e finos.

Pegou o isqueiro que estava próximo a pia e voltou-se para a banheira. Acendeu a vela de cor marrom que estava ao lado da banheira. Não demorou muito para que um cheiro de canela perfumasse o ambiente. Passou a mão em seu corpo até chegar à calcinha, deslizando-a devagar e pra baixo. Deixou a peça no chão e entrou na banheira. A água quente cobriu seu corpo e despejava sais de banho enquanto a espuma ia escondendo-a. Suspirou, escorando-se e apreciando a temperatura da água. Pegou a esponja no lado esquerdo e encharcou-a de sabonete líquido. Alisava seu corpo com a esponja, demorando-se mais em seus seios e coxas. Sentia a pele arrepiar toda vez que se mexia e um pedaço do seu corpo ficava fora da água. Gostava de ver os cabelinhos ficarem de pé. Pôs a perna direita na borda da banheira e se abriu o máximo que podia. Primeiro, passou a esponja na parte interna da coxa para depois largá-la e arranhar-se. O esmalte vermelho sangue, em suas unhas, estava úmido e brilhava. Deixou-se embriagar pelo cheiro de canela e pela água quente que dava leveza ao seu corpo. Fechou os olhos e pensou em seu chefe. No hálito de canela que sentia quando ele lhe dava bom dia. Pensou na mão grande e áspera tocando sua pele. Apertando seu ombro com firmeza quando vinha lhe dizer algo. Sentia-se tão pequena ali, sentada em sua mesa e ele atrás dela, lhe dando ordens. Cecília apertava o seio com a mão direta enquanto alisava os pelos do teu sexo com a unha, deslizando para massagear o clitóris. Imaginou Hank apertando seus braços e colocando-a contra parede. Masturbava-se lentamente enquanto a mão livre deslizava do seio para o pescoço. Sentiu o toque forte do homem apertando o pescoço, erguendo sua cabeça para lhe dar um beijo violento, molhado. Com sabor de canela.

A voz grossa em seu ouvido a chamava de Delícia e dizia que precisava possuí-la. A mulher se afundou mais na banheira, arreganhando as pernas. Penetrando-se com os dedos enquanto a mão pesada do homem invadia seus cabelos e puxava-a na direção de sua mesa. Seu corpo inteiro estava quente, arrepiado. Cecília se colocava de quatro na mesa enquanto abria o zíper da calça e o abaixava até o joelho. O homem contemplava a bunda por alguns minutos, agarrando-a com uma mão e apertando com força. Cecília sentia a aliança na mão esquerda arranhar sua pele. Desvencilhava-se da calça por completo e abria as pernas enquanto Hank arrancava a calcinha rosa. A mulher gemia, mordendo os lábios e se contorcendo enquanto a água escorria pela banheira.  Ele apertava sua cintura e a invadia com o pênis grosso. Cecília sentia o membro latejando dentro dela. Agarrava mais uma vez os cachos da morena e puxava a cabeça para trás, ordenando que ela falasse que pertencia a ele. Ele a penetra com força e a mulher podia sentir o cinto de couro pendurado na calça dele bater-lhe na nádega.  Ela voltou a massagear o clitóris. Sentou-se à mesa com as pernas abertas. O homem se aproximou, afastando-as ainda mais e penetrando Cecília enquanto a encarava. Ela envolveu a cintura do seu chefe com as pernas e manteve o olhar fixo no dele. Excitava-se com a expressão de raiva e prazer que ele carregava na face. Sentia sua cintura fina ser apertada pelas mãos ásperas.  Perdeu-se nos olhos castanho-escuros, sempre carregados de vida e sarcasmo.  Lembrou-se de quando vai entrar na sala e este ergue o olhar para falar com ela. De como ele, sorrindo, percorre todo seu corpo até chegar a sua boca e o quanto isso a deixa trêmula. Será que conseguia enxergá-la nua? O homem a envolveu em seus braços, aumentando a velocidade dos seus movimentos. Ela encostava seu corpo ao dele, sentindo o perfume do seu suor e pediu para que a chamasse de amor. A voz grossa diz “Meu amor”, embriagando-a com o cheiro de canela.

Na banheira, Cecília abre os olhos. Alisa o lábio dolorido e vê um pouco de sangue em seus dedos. Mordeu-o com força enquanto gozava.

 

 

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Mais tarde naquela noite enquanto cavalgava em cima do seu marido, Cecília encarou os olhos azuis e os viu castanhos. Beijou a boca pequena e sentiu o gosto de canela. Lábios grossos. Sentiu no beijo o gosto da pele negra do seu chefe.  Gozou e dormiu bem ao lado do marido, pois o amava.

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